ok

Pampa

Pampa abrange a metade meridional do Estado do Rio Grande do Sul e constitui a porção brasileira dos pampas sul-americanos que se estendem pelos territórios do Uruguai e da Argentina, e são classificados como Estepe no sistema fitogeográfico internacional.


Aspecto geral do Pampa. Foto: Miriam Prochnow

 Sendo o menos complexo dos biomas brasileiros, o Bioma Pampa compreende um conjunto ambiental de diferentes litologias e solos recobertos por fitofisionomias campestres. É caracterizado por clima chuvoso, sem período seco sistemático, mas marcado pela freqüência de frentes polares e temperaturas negativas no período de inverno, que produzem uma estacionalidade fisiológica vegetal típica de clima frio seco, evidenciando intenso processo de evapotranspiração, principalmente no Planalto da Campanha. Tem como característica marcante a tipologia vegetal herbáceo/arbustiva, composta por hemicriptófitas, geófitas e nanofanerófitas, que recobre superfícies com formas de relevo aplainadas ou suave onduladas. As formações florestais, pouco expressivas neste bioma, restringem-se à vertente leste do Planalto Sul-Rio-Grandense e às margens dos principais rios e afluentes da Depressão Central.

As paisagens campestres do Bioma Pampa são naturalmente invadidas por contingentes arbóreos representantes das florestas Estacional Decidual e Ombrófila Densa, notadamente nas partes norte e leste, caracterizando um processo de substituição natural das estepes por formações florestais, em função da mudança climática de frio/seco para quente/úmido no atual período interglacial. Estas paisagens campestres, tanto da Campanha quanto do Planalto, estão em desarmonia com o clima florestal atual e representam um espaço de imigração de pontas de fluxos florísticos arbóreos (pluviais e estacionais) interiores e costeiros. Têm vínculos com troncos florísticos antigos, migrados em diferentes fases da geohistória regional; com fluxos insulares, ligados ao centro florístico austral-antártico e com fluxos andinos, através das planícies ocidentais emergidas do mar no Quaternário.

O Bioma Pampa, que se delimita apenas com o Bioma Mata Atlântica, é formado por quatro conjuntos principais de fitofisionomias campestres naturais: Planalto da Campanha, Depressão Central, Planalto Sul-Rio-Grandense e Planície Costeira. No primeiro predomina o relevo suave ondulado originário do derrame basáltico com cobertura vegetal gramíneo-lenhosa estépica, podendo esta ser considerada como a área “core” do bioma no Brasil. De um modo geral o Planalto da Campanha é usado como pastagem natural e/ou manejada, mas possui, também, atividades agrícolas, principalmente o cultivo de arroz nas esparsas planícies aluviais. Apresenta disjunções de Savana Estépica típica do ambiente Chaquenho, que guarda homologia fisionômica com a Caatinga do Nordeste do Brasil (como por exemplo na foz do rio Quaraí no extremo sudoeste do Rio Grande do Sul).

A Depressão Central compreende, sobretudo, terrenos da Cobertura Sedimentar Gonduânica (Bacia do Paraná) formando uma faixa semicircular sinuosa entre Porto Alegre (a leste), Santiago/Alegrete (a oeste) e Santana do Livramento/ Dom Pedrito/ Bagé (no centro sul), isolando o Planalto Sul-Rio-Grandense na porção sudeste do Estado. Esta área é caracterizada por um campo arbustivo-herbáceo, associado a florestas-de-galeria degradadas que, em geral, são compostas por espécies arbóreas deciduais. Apresenta uma maior disponibilidade de umidade, motivada pela maior regularidade pluviométrica e/ou pela maior concentração de drenagem e depressões do terreno. Associadas à densa rede de drenagem, formaram-se extensas planícies sedimentares aluviais, como ao longo das bacias do Jacuí, Vacacaí e Santa Maria, nas quais as formações pioneiras e florestas-de-galeria foram substituídas por culturas e pastagens.

O Planalto Sul-Rio-Grandense compreende o denominado Escudo Cristalino, bloco Pré-Cambriano isolado entre a Planície Marino-Lacunar (a leste) e a Depressão Central (a norte, oeste e sul) e que alcança altitudes superiores a 300/400m. Seus terrenos são mais altos, no contexto regional, e regados com maior intensidade pelas chuvas, devido à influência marinha. Em razão disto, a cobertura vegetal natural é mais complexa, compondo-se de Estepe Arbórea Aberta, Parque e Gramíneo-Lenhosa, com marcante presença de formações florestais estacionais semidecíduas, especialmente na face oriental próxima à Lagoa dos Patos. De modo geral, predominam pastagens naturais ou manejadas.

A Planície Costeira compreende terrenos sedimentares de origem tanto fluvial quanto marinha, ocupando a faixada oriental do Estado do Rio Grande do Sul desde a fronteira com o Uruguai até a divisa com Santa Catarina. São áreas aplainadas ou deprimidas, com solos em geral, arenosos (distróficos ou álicos) ou hidromórficos. São revestidas, principalmente, por formações pioneiras arbustivo-herbáceas, típicas de complexo lagunar onde se destacam as Lagoas dos Patos, Mirim e Mangueira. De modo mais esparso, observam-se formações florestais, especialmente aquelas das terras baixas e aluviais, típicas da Floresta Ombrófila Densa. O uso da terra prevalecente é representado por pastagem natural associada à rizicultura.

Observa-se que a atividade humana pós colonização propiciou uma significativa homogeneização da cobertura vegetal, tanto nas áreas de Estepe, quanto nas áreas de Formações Pioneiras (fluviais e lacustres), com uma acentuada diminuição das espécies lenhosas arbustivas  (hemicriptófitas) em benefício daquelas dotadas de rizomas (geófitas).

Na conformação do Bioma Pampa foram consideradas as seguintes tipologias, com as respectivas formações remanescentes: Estepe como tipologia predominante, Savana Estépica numa pequena ocorrência no estremo oeste do Rio Grande do Sul, Floresta Estacional Semidecidual e Decidual no centro e leste do estado, as Formações Pioneiras compostas pelos banhados e restingas,   e o Contato Estepe/Floresta Estacional (EN), o único que ocorre neste bioma.

Fonte: Ministério do Meio Ambiente

Últimas Notícias

Seminário do Forum Florestal Gaúcho debateu dispersão do pinus

Seminário de Monitoramento Ambiental na Silvicultura tratou do manejo da dispersão do pinus e medidas compensatórias de empresas.
imageLeia mais