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Reunião entre Redes de ONGs e a Suzano aconteceu em Teresina

Publicado em 02/10/2009 por Miriam Prochnow.

Reunião em Teresina. Foto: Miriam Prochnow

A reunião, que aconteceu no Poty Flat, com a presença de 28 pessoas, contou com a seguinte pauta e encaminhamentos:

1 – Café da manhã com prosa de abertura, seguida da apresentação dos participantes.

2 - Breve apresentação do Diálogo Florestal
A apresentação do Diálogo Florestal foi feita por Miriam Prochnow, que destacou entre outros pontos os objetivos, temas prioritários, forma de funcionamento e princípios do Díalogo, bem como informações sobre os Fóruns Regionais.

3 - Apresentação da Lei e Mapa da Mata Atlântica
A apresentação foi feita por Miriam Prochnow, que ressaltou um pouco da história de tramitação da lei no Congresso e a sua regulamentação, bem como, enfatizou aspectos da Lei 11.428/2006 e do decreto 6.660/2008, relacionados ao polígono da Mata Atlântica no estado do PI e às regras a serem aplicadas aos remanescentes de vegetação nativa, em seus vários estágios de regeneração.

4 - Apresentação do projeto Suzano PI
A apresentação do projeto da Suzano no Piauí foi feita por Alexandre Di Ciero, Flávia Geromini e Ricardo Simonetti. Os pontos de destaque da apresentação foram os seguintes:
•    Da região mapeada pelo EIA/RIMA (raio de 120 km no entorno da cidade de Teresina), apenas 6% serão efetivamente adquiridos e trabalhados pela Suzano.
•    A Suzano recém iniciou o processo de aquisição de áreas.
•    Para cada nova propriedade adquirida é feito um processo de licenciamento em separado, com a realização de um planejamento ambiental da propriedade, que inclui todos os levantamentos bióticos e abióticos, para determinar as áreas de preservação/conservação, corredores e plantios.
•    A Suzano está fazendo a implantação do projeto visando sua futura certificação.
•    A Suzano cumprirá toda a legislação ambiental vigente, seja federal, estadual ou municipal.
•    A Suzano, a princípio, não adquirirá áreas dentro do polígono da Mata Atlântica. Se o fizer será com o objetivo de conservação.
•    A Suzano não apóia qualquer lobby contra a legislação da Mata Atlântica.

5 – Debate
Após todas essas apresentações. Os participantes da reunião tiveram oportunidade de fazer suas ponderações, em especial manifestando suas preocupações com relação à implantação do projeto da Suzano no PI. O foco das preocupações está nos seguintes temas:
•    Questão dos plantios e da água.
•    A questão das Florestas Estacionais (Mata Atlântica).
•    A conversão de vegetação nativa de Cerrado e Caatinga.
•    A conservação e o acesso às Matas de Cocais.
•    O apoio e relacionamento com a comunidade.
•    A questão das Unidades de Conservação.

6 – Encaminhamentos
Após o debate foram acordados os seguintes encaminhamentos:
•    Será elaborado um documento (Termo de Compromisso, Nota Pública ou Acordo) a ser assinado pela Suzano e pela Reapi contendo os principais pontos referentes à questão ambiental, para a implantação do projeto no estado. As ONGs ficaram de elaborar a minuta deste documento.
•    Deverá ser organizada uma reunião técnica para debater a questão da água. Os palestrantes serão indicados pela Reapi e pela Suzano.
•    Foi formado um Grupo de Trabalho, que coordenará os próximos passos. Este grupo tem a seguinte composição: pela Suzano, Alexandre Di Ciero e Flávia Geromini e pela REAPI, Tânia Martins, André Pessoa, Dionísio Neto e Avelar Amorim.

Relato na íntegra em anexo.

Arquivos anexos

Relato reunião Teresina 25 de setembro de 2009 (1.15mb)
Comentários (4)
Josildo Soares
06/10/2009
Há que ter muito cuidado com a voracidade das empresas papeleiras ao molde de muitos municipios total ou parcialmente tomados pelos florestamentos de um único proprietário que não tem pátria/não é do local.
Judson Barros
30/11/2009
O papelão da Suzano no Piauí
11-Ago-2008


A sociedade piauiense precisa ficar atenta à conversa da implantação de uma fábrica de papel, da Suzano, no município de Nazária. Existe um velho ditado que diz: "quando a esmola é grande o cego desconfia". Pois este deve ser o espírito frente aos fatos. A tentativa do convencimento a qualquer custo é a mesma: apelar para a maior necessidade das pessoas. Criar a idéia de permissividade utilizando a promessa de emprego e daí viabilizar os reais objetivos.



O governador Wellington Dias anunciou a geração de 30 mil empregos indiretos e 3.500 diretos na fábrica da Suzano. O secretário de Fazenda, em uma emissora de TV, disse que só para construir a unidade serão 8 mil empregos diretos. Você acredita nessa estória? Tudo isso é mentira. A finalidade desse discurso é aquietar a população por conta dos piores aspectos do negócio, a destruição do meio ambiente e a isenção fiscal que será dada para a empresa.



A situação da manipulação da opinião pública é vergonhosa, o governo não definiu nem um quantitativo de empregos que serão gerados. O governador diz 30 mil, o dono da Suzano diz 12 mil, um assessor diz 16 mil indiretos e 8 mil para construir a fábrica. Aqui deve haver um engano. Talvez seja para construir o estado inteiro. Outro diz 25 mil. Mas quantos empregos mesmo serão gerados? Muito poucos podem ter certeza.



Esse discurso foi utilizado com a vinda da Bunge Alimentos e da Brasil Ecodiesel para o Piauí. Com relação à Bunge, a promessa era de 10 mil empregos indiretos e 517 diretos na fábrica em Uruçuí. Hoje a realidade mostra que não foram criados mais de 500 indiretos e na fábrica não há mais de 50 pessoas trabalhando. Na questão da Brasil Ecodiesel foi pior, até o presidente Lula veio para a encenação. A promessa foi de 20 mil empregos indiretos e pelo menos 2 mil diretos. Hoje a realidade é cruel, nenhum emprego está sendo gerado, a fábrica foi fechada, pois o governo "descobriu que não dá para botar carro para andar com azeite de mamona". Mas depois de muito dinheiro público metido no negócio. Para essa empresa, o governador deu de presente 100 mil hectares de terras públicas, no valor de 50 milhões de reais, aproximadamente.



A justificativa de destruir o meio ambiente porque vai gerar algum emprego é aceitável? Tentam imbuir na mente das pessoas que por causa desses empregos a sociedade deve passivamente aceitar a destruição de florestas inteiras nos arredores de Teresina, eliminando completamente a fauna e a flora, também contribuindo para aumentar o calor e a falta de chuvas da região e transformar o Parnaíba num esgoto pior do que já está. Grave também será o abastecimento na capital, em qualidade e disponibilidade da água.



As isenções fiscais no Piauí representam um prejuízo de milhões de reais por ano. São feitas a grandes empresas com o argumento de promoção do desenvolvimento e geração de empregos. As empresas isentas não geram empregos que justifiquem tamanha lesão ao erário.



O discurso utilizado a partir do dinheiro que será investido pela Suzano é nefasto, tenta induzir as pessoas a uma conclusão de que terão algum benefício dele. A Suzano vai converter 1,8 bilhão de reais em patrimônio próprio, que serão máquinas, equipamentos e instalações para a empresa funcionar. Os cães comerão as migalhas. A Suzano investir esse dinheiro numa fábrica não significa que o estado do Piauí vai melhorar, pode até piorar.



O sul do Piauí está destruído, com os rios e riachos envenenados e secos para atender a voracidade de algumas empresas que buscam lucro fácil através da destruição dos ecossistemas com as atividades do carvão, da lenha, da soja, da mamona e do eucalipto.

A riqueza produzida concentra-se nas mãos de uns poucos e a grande maioria da população continua vivendo sem usufruir dos bens oferecidos com gratuidade pela Mãe Natureza. A agricultura familiar quase não existe. Nenhuma cidade onde está a soja, a mamona, a lenha ou o carvão mostrou mudanças em seu perfil social. Trabalhadores rurais morrem envenenados e o Estado finge que não vê. A atividade laboral tem como base o trabalho escravo, a biodiversidade é destruída implacavelmente, as águas do Cerrado estão desaparecendo e os desertos sendo criados.



Estudos científicos e experiências em vários estados, como Espírito Santo, Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, comprovam que a indústria da celulose e do papel é um grande mal para o meio ambiente e para a sociedade. Nesses locais, a destruição ambiental e os transtornos sociais são imensos, contribuindo para uma péssima qualidade de vida da grande maioria da população. A reciclagem é a melhor alternativa para a indústria do papel.



A Rede Ambiental do Piauí não é contra o desenvolvimento do estado, mas contra a destruição do seu patrimônio natural para atender a interesses de empresas que buscam lucro fácil sem responsabilidade ambiental e social e contra a política do conluio que facilita a degradação desse patrimônio para viabilizar interesses escusos.



Enfim resta uma pergunta: quanto vai custar o papelão da Suzano para o meio ambiente e para o erário?



Judson Barros - Presidente da Fundação Águas
Maria Rene
25/12/2009
Está de parabéns o senhor Judson Barros, pois muitos de nossa sociedade não estão atentos quanto aos danos que serão causados em função da instalção da empresa suzano e bom mesmo é que sejam publicadas os prós e os contras para a sociedade, pois nos temos o direito de interferir naquilo que será bom para nós ou não, afinal de contas, é o nosso estado e temos que zelar por ele, se nós não fizermos, quem vai faze!!!!!!

Atenciosamente,

Rene Rodrigues
Maria Rene
25/12/2009
Gostaria de saber informações sobre o andamento do processo de instalação da SUZANO.
Atenciosamente,
Rene Rodrigues

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