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Seminário sobre silvicultura e biodiversidade reúne mais de 200 pessoas em Governador Valadares

Publicado em 05/10/2015 por Elizabete Lino.

Momento da abertura do evento. Foto: Marinha Bhering
Mais de 200 pessoas, na maior parte alunos da Universidade Vale do Rio Doce (Univale), em Governador Valadares (MG), participaram do Seminário Silvicultura, Recursos Hídricos, Biodiversidade e Sociedade promovido pelo Fórum Florestal Mineiro. O tema central do evento foi plantios florestais e suas interfaces com água e biodiversidade.

A abertura do evento foi feita pelo reitor da Univale, José Geraldo Lemos Prata, que ressaltou sua importância como exemplo de integração com a sociedade, Paulo Dantas, especialista do departamento de meio ambiente da Cenibra, que informou sobre o Diálogo Florestal e seus objetivos, e Dalce Ricas, superintendente executiva da Amda, que alertou aos participantes quanto à ligação dos assuntos com a vida diária de todos. Citou como exemplo a dependência da sociedade da produção de madeira e dos produtos dela derivados. 

Eduardo Figueiredo, presidente do Instituto Bioatlântica (Ibio), organização não governamental que atua como agência de Comitê de Bacias do rio Doce, apresentou o Programa de Disponibilidade Hídrica na Bacia do Rio Doce, que visa promover ações para recuperar a disponibilidade de água na bacia. O diagnóstico da bacia apresentado avaliou diversos fatores como indicadores de seca, probabilidade de erosão e produção de sedimentos, desertificação, uso e ocupação do solo e biodiversidade. O carreamento de sedimentos para a calha do rio, oriundo de processos erosivos causados pelo mau uso do solo para agricultura, pecuária, estradas, desmatamento e fogo foram identificados como o principal problema da bacia. Originalmente a profundidade média do rio Doce era de 3,5. Hoje está em torno de 90 cm.

Presente ao seminário, o professor Henrique Lobo, gerente de meio ambiente da ferrovia da Vale e especialista em recursos hídricos, explicou que devido ao entupimento de seu leito, o rio não tem mais força para empurrar a água do mar e hoje a situação se inverteu: o oceano Atlântico, na costa capixaba onde deságua, o empurra para o continente e acabou com sua foz.

O presidente do Ibio ressaltou que os recursos recolhidos pela cobrança de uso da água, mesmo devidamente aplicados, não seriam suficientes para desenvolver as ações necessárias à paralisação do processo de degradação da bacia do rio Doce. 

Silvio Nolasco, engenheiro florestal, Mestre e Doutor em Engenharia Florestal falou sobre a integração entre pecuária e floresta, ou sistema silvipastoril, sistema de uso da terra que combina utilização de árvores e pastagens e ou criação de animais em uma mesma área. Nolasco defendeu a atividade e apontou suas possíveis vantagens, como o uso mais eficiente do espaço produtivo da propriedade rural, aumento da produtividade total, diversificação da produção e renda, conservação do solo e água, estocagem de carbono, maior ciclagem de nutrientes, melhor qualidade da forragem, sombreamento e conforto térmico para os animais.

Respondendo a questionamento da superintendente da Amda, Nolasco afirmou não ser necessário suprimir vegetação nativa para manter atividades econômicas. A recuperação de milhares de hectares de terras abandonadas ou sub-utilizadas seriam mais que suficiente para manter a produção agropecuária na região.

Herly Carlos Teixeira, Mestre em Engenharia Florestal e Pós Doutor em Hidrologia Florestal, abordou a relação entre silvicultura e recursos hídricos. Após explicar os conceitos de bacia hidrográfica e os processos que envolvem o ciclo hidrológico, Teixeira afirmou que como qualquer cultura agrícola os plantios consomem água. Mas ressaltou que, em uma silvicultura moderna, bem conduzida, não há espaço para se permitir erosão, compactação do solo, super adensamento do plantio ou plantios em áreas de preservação permanente. Ele ressaltou também as pesquisas constantes que buscam melhorar os plantios, inclusive no que se refere ao consumo de água. "As plantas não podem ser culpadas pelos erros humanos", concluiu.

Para Teixeira, o fato dos plantios florestais serem algo relativamente novo e terem começado da pior forma possível, com base em muito desmatamento e outros erros, gerou resistência na sociedade contra os mesmos. A geração que assistiu isto estava acostumada com pastos e outras culturas, não com florestas plantadas. As novas gerações provavelmente não terão a mesma atitude, pois convivem com a realidade atual em que muitas empresas atuam com responsabilidade socioambiental.

A última palestra foi feita por Jacinto Moreira Lana, engenheiro florestal e mestre em botânica, coordenador de meio ambiente da Cenibra, que discorreu sobre a relação entre silvicultura e biodiversidade, com base nos plantios que são feitos de forma integrada com a paisagem por meio de corredores ecológicos de vegetação natural, tornando-se parceiros na proteção da fauna, que os utiliza como abrigo, travessia e até locais de reprodução. Ilustrando as informações, foram mostradas imagens de diversas espécies de animais silvestres feitas com armadilhas fotográficas. Respondendo à pergunta de estudantes sobre impactos na fauna durante a colheita, Lana explicou que os plantios têm idades diferentes e nunca são cortados ao mesmo tempo, garantindo sempre que a conectividade entre os mesmos e as áreas de florestas se mantenha.

Para Dalce Ricas, o objetivo do seminário foi atingido. "O Fórum cumpriu seu papel de informar à sociedade que os plantios florestais são essenciais à vida de todos, que podem e devem ser feitos de forma responsável. Nunca podemos desistir da informação correta e honesta, pois ela é crucial para contribuir em mudanças conceituais e de comportamento das pessoas", comentou. O encerramento foi feito pelo professor e coordenador do curso de engenharia ambiental, Hernani Ciro Santana cuja colaboração foi fundamental para realização do seminário. Ele elogiou as palestras e ressaltou a importância dos assuntos abordados para formação acadêmica e de cidadania dos estudantes.

Dalce da Amda apresentando a publicação sobre Silvicultura e Água. Foto Marina Bhering.

Ao final, foi feito lançamento do Caderno do Diálogo: A Silvicultura e a Água - ciência, dogmas, desafios - uma reedição do primeiro volume publicado em 2010. A publicação tem autoria de Walter de Paula Lima, Professor Sênior do Departamento de Ciências Florestais da ESALQ/USP. O autor apresenta bases científicas sobre  dois temas atuais e importantes para a Mata Atlântica e outros biomas brasileiros: o manejo florestal e suas implicações no uso e conservação da água doce,  e a ocupação e manejo integrado do território.

Arquivos anexos

Reedição Volume 1 Cadernos do Diálogo (4.65mb)
Comentários (3)
manoel caldeira junior
06/10/2015
Boa tarde senhores, sou engenheiro florestal aqui no estado do rio de janeiro , gostaria de saber como conseguir um exemplar essa publicação .

grato pela atenção
Kathia
06/10/2015
Parabéns Dalce.
Gisleno Martins Castro
18/11/2015
A silvicultura em minha Cidade e intensa pois a CENIBRA e dona de mais da metade do município,e alem disso incentiva o fomento florestal a outros,a questão e como si protege a as apps área de reservas legais si seus terrenos tem grande quantidades de animais soltos,como equinos e bovinos estes animais não são da empresa mas ela não faz nada para impedir a criação em suas terras,alem da questão ambiental tem os acidentes nas estradas onde as vidas humanas estão sempre em perigo,tem que ser avaliado estas questões.atenciosamente Gisleno Martins Castro

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